segunda-feira, 2 de julho de 2012
NOVO BLOG!
Mas vocês podem ver por aí que uma das minhas paixões daquela época continua viva: a literatura.
Estou, portanto, num novo endereço: http://www.bibliotecavertical.blogspot.com.
Visitem e sigam lá também!
Um abraço.
terça-feira, 6 de abril de 2010
Jornalismo - Primeiras Impressões
A editoria que escolhi por preferência pessoal e por ter maior conhecimento na área, política, tem esse contato com fontes como um ponto crucial na separação entre o jornalismo bem sucedido e a simples repetição de discursos baratos.
Ricardo Kotscho, Franklin Martins, Gilberto Dimenstein e inúmeros outros grandes nomes do jornalismo se envolveram com o político, em alguma altura da carreira. Eu, que decidi começar por este campo, começo a aprender que as dificuldades que se impõe nesse caminho não são poucas. Mas até agora, a principal delas é o acesso às fontes.
Deputados, assessorias públicas, senadores, cientistas políticos (estes os mais receptivos) são exemplos de profissionais com que estou começando a ter contato. Primeira impressão: confirmação do senso comum de que políticos não trabalham. Ou trabalham muito pouco.
Mas continuo querendo acreditar que isso não passa de senso comum barato. Por ora, continuo meu modesto trabalho num jornal laboratório, com a certeza que de o aprendizado que estou adquirindo, aos poucos, formará um jornalista certo de sua responsabilidade social.
Leia também
Jornal Comunicação - Diários secretos da Assembleia Legislativa do Paraná podem interferir no rumo das Eleições 2010
Jornal Comunicação - Reforma no Código de Processo Penal deve otimizar sistema de justiça
quarta-feira, 17 de março de 2010
Não, não é o fim dos jornais.
A resposta é: não.
Historicamente, é possível verificar uma adaptação dos meios às novas tecnologias. O teatro não viu seu fim frente à chegada do cinema, nem o rádio com o advento da TV. E isso também não vai acontecer com os impressos em relação à Internet.
O que é estritamente necessário é a adaptação, daí forçada ou não, desses meios. Jornais impressos devem repensar seus projetos editoriais e gráficos para sobreviver. O sonho dos 500 mil exemplares diários pode ter desaparecido, mas é importante notar que os jornais já assimilaram essa necessidade e estão sim passando por uma fase de transformação.
Um exemplo próximo e muito recente é o Estadão. Na última semana, todo o projeto gráfico do jornal mudou drasticamente. Inclusive o site.
A questão é a seguinte: faz sentido uma transformação gráfica tão drástica quanto essa se o projeto editorial do jornal não mudar um centímetro? Penso que não. A necessidade de transformação dos jornais é completa: mudar um dos lados me parece uma adaptação um tanto quanto manca.
Visite o site do Estadão e confira o novo layout.
Leia mais sobre o assunto:
Estadão confronta o apocalipse - Alberto Dines
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Charge do Tiago Recchia, para a Gazeta do Povo, sobre os atos secretos da câmara do Paraná. Assunto para muitos outros posts. (Clique para ampliar. Créditos)quarta-feira, 10 de março de 2010
Universidade - O Jornal Comunicação
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
Política - No Paraná
Em nível local: Beto Richa tem um eleitorado forte na capital, mas não acredito muito nessa sua força no interior do estado. Herdeiro direto da carga política do seu pai, ex-governador José Richa, Beto parece que leva essa carga como uma garantia - o que eu duvido aqui, é que essa garantia atinja os eleitores do interior, decisivos na eleição. Ainda, tudo leva a crer uma polarização nessa eleição entre o próprio Beto e o senador Osmar Dias (PDT). Osmar, membro da bancada ruralista, leva com ele muitos votos no produtivo interior paranaense, na ala de centro-direita da capital, e, por conta da muito provável aliança com o PT, consequentemente com Dilma e Lula, também leva votos do setor de centro-esquerda da capital e também do interior.
Vários setores são atingidos pela aliança entre Osmar e o PT - e justamente por isso o seu palanque no estado se torna fortíssimo. A visão geral, nesse momento, aponta para uma vitória do senador, e com isso, boa parte dos votos para Dilma no estado.
Em nível nacional, a partir do Paraná: o senador Álvaro Dias, embora pareça estar "choramingando" ao atacar Beto e o partido por todos os cantos, mantém uma argumentação clara. O senador afirma que uma candidatura sua visaria o fortalecimento do PSDB dentro do Estado, alavancando a candidatura de José Serra à Presidência - e também realça que a indicação de Beto foi egoísta. Até porque o prefeito, na campanha de 2008, afirmava que cumpriria seu mandato até o final. Em outra instância, a prefeitura cai nas mãos do PSB de Ciro Gomes, possível candidato à Presidência - menos um palanque para Serra.
Álvaro Dias, embora politicamente esteja certo, dá um golpe no partido, estadualmente.
O padrão "reacionário" do estado parece, aos poucos, sofrer golpes profundos - a briga interna no PSDB é o mais claro deles.
Leia mais sobre o assunto:
PSDB confirma pré-candidatura de Richa e descarta Alvaro Dias - Gazeta do Povo
A cristianização de Serra no Paraná - Luis Nassif
Derrotado, Alvaro Dias abre fogo contra Richa - Fabio Campana
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
Esporte - Super Bowl XLIV a magnífica história do Saints
A história do time da Louisiana é sensacional. Vou resumi-la: no dia 25 de agosto de 2005, a cidade de Nova Orleans começava a ser evacuada devido a chegada do furacão Katrina na região. Nos dias seguintes, mais de 80% da cidade ficou em baixo d'água, e 1 milhão de pessoas foram atingidas, de alguma forma, pelo furacão na região. O Super Dome, o magnífico estádio do Saints, além de sofrer as consequências do furacão, transformou-se numa casa para milhares de desabrigados. Impedido de poder jogar e treinar no seu estádio, naquele ano, o time do Saints foi obrigado a mandar seus jogos em San Antonio, Texas, Nova York, e outras cidades. Saldo da temporada: 3 vitórias e 13 derrotas, um time fraco, uma cidade devastada. Os presidentes do Saints, à época, negociavam uma mudança do time, cogitavam sair de New Orleans. Mas então, por uma sucessão de acontecimentos, eles decidiram ficar. E entrar para a história.



Imagens da cidade de New Orleans e do Louisiana Superdome, em setembro de 2005. O estádio virou abrigo para pelo menos 18mil pessoas que perderam tudo com o Katrina. (Créditos: Google Images).segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
Eleições 2010 - Lula, Dilma, Ciro...
Capa do estadao.com.br de hoje:
"CNT/Sensus mostra empate técnico entre Serra e Dilma
Diferença entre tucano e petista caiu de 10,1% para 5,4% em cenário com a candidatura Ciro Gomes
Rodrigo Alvares, do estadao.com.br
SÃO PAULO - A centésima pesquisa do Instituto Sensus, divulgada nesta segunda-feira, 1º, pela Confederação Nacional do Transporte (CNT), mostra que a diferença entre o governador de São Paulo e pré-candidato tucano, José Serra, e a ministra-chefe da Casa Civil e pré-candidata petista, Dilma Rousseff, caiu praticamente pela metade, de 10,1% em novembro para 5,4% em janeiro".
Particularmente, não tenho confiança plena em pesquisas eleitorais. De uma forma ou de outra, elas parecem condicionar votos de eleitores indecisos de maneira errônea - elas apontam para uma polarização entre dois candidatos, o que faz eleitores acreditarem na expressão "desperdiçar o voto". Isso é extremamente presente na classe média - o costume de se pensar "nulo" no cenário político. Porém, isso é assunto para outro post.
De qualquer forma, seguindo a linha do Paulo Henrique Amorim, as pesquisas apontam tendências. E a tendência apontada nesta é a seguinte: Serra está estagnado. Parece que os anos de governo em São Paulo não mudaram sua imagem de conservador atrasado. A pesquisa mostra também que Serra não sai da casa dos 30% - desde 2002 quando perdeu a eleição para Lula.
Outra manchete do estadao:
"'Sem Ciro na disputa, Serra vence no 1º turno', diz líder do DEM
Para o deputado Rodrigo Maia, presidente do partido, a candidata do governo atingiu seu 'teto' eleitoral
Bruno Siffredi, do estadao.com.br
SÃO PAULO - O presidente nacional do DEM, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou nesta segunda-feira, 1, que a pesquisa do Instituto Sensus, realizada pela Confederação Nacional do Transporte (CNT), mostra que o governador de São Paulo, José Serra, pré-candidato do PSDB à presidência, continua favorito e pode vencer as eleições no 1º turno caso Ciro Gomes não entre na disputa".
Mentira.
Aposte nesse trio. (Fonte)quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
Literatura - J.D. Salinger e o seu Apanhador
Pois bem, 2010 ano movimentadíssimo na política nacional: as campanhas presidencias começam a se tornar bem mais evidentes, e todas as movimentações que envolvem esse fato crescem consideravelmente. Além disso, as eleições para as outras instâncias também têm peso fundamental no futuro do país. O blog, é claro, acompanhará as eleições de perto.
Pessoalmente, 2010 ainda não está claro para mim: um dos resquícios da Ditadura (1964-1985) anda me assombrando. Mas, se tudo der certo, falaremos disso em outra oportunidade.
Apesar de tudo isso, uma notícia hoje despertou o mundo literário: Jerome David Salinger (ou J. D. Salinger), autor do consagrado Apanhador no Campo de Centeio (The Catcher In The Rye, 1951), faleceu em sua casa em New Hampshire aos 91 anos.
Segundo informações das agências internacionais, Salinger vivia isolado e tinha aversão a jornalistas - além disso, teve sua última obra publicada em 1965 (Hapworth 16, 1924). Esse aspecto de solidão lembra muito do escritor curitibano Dalton Trevisan.
J. D. Salinger. (Reprodução do Estadão.com.br)
Falando do Apanhador, tive a oportunidade de acompanhar o final de semana conturbado de Holden Caufield, adolescente de 16~17 anos. Inicialmente, penso que o sentimento de raiva em relação a ele é inevitável. Porém, com o desenrolar da narrativa, o leitor se aproxima de Holden - e começa a entendê-lo. Creio na força que a cena entre ele e sua irmã caçula Phoebe, no quarto dela, representa perante o cenário literário mundial. É, ao menos, peculiar.
Holden, apesar da sua evidente chatice, tira umas sacadas sensacionais durante a história - e este entrelaço de frases muito inteligentes e a amargura infinita do personagem fazem do livro uma obra fantástica.
“Estou sempre dizendo: “Muito prazer em conhecê-lo” para alguém que não tenho nenhum prazer em conhecer. Mas a gente tem que fazer essas coisas pra seguir vivendo.” (pg.78)
“De qualquer maneira até que achei bom eles terem inventado a bomba atõmica. se houver outra guerra, vou sentar bem em cima da droga da bomba. Vou me apresentar como voluntário para fazer isso, juro por Deus que vou.” (pg. 121)
Alguns exemplos, apenas. A melhor mesmo é a conversa entre ele e sua irmã caçula, mas não vou colocar aqui.
O Apanhador no Campo de Centeio é leitura obrigatória para os apreciadores da literatura universal - e presto aqui, portanto, minha homenagem ao finado J. D. Salinger.
Vários músicos e cineastas fazem alusão a Holden Caufield em suas obras. A banda americana Green Day tem uma música sobre o personagem (lançada no Kerplunk, 1992), "Who Wrote Holden Caufield".
Leia mais sobre Salinger e sua obra:
Folha Online - Morre o escritor J.D. Salinger aos 91 anos
Estadão - Morre o escritor J.D. Salinger, aos 91 anos, nos EUA
Blog Letras Despidas - O Apanhador no Campo de Centeio
sábado, 26 de dezembro de 2009
Férias prolongadas!
quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
Jornalismo - 1ª Conferência Nacional de Comunicação (I)
Do site oficial da Confecom:
"Luiza Erundina destaca o bom nível dos debates
A deputada federal Luiza Erundina, há 10 anos envolvida com as questões da comunicação e delegada do Grupo de Trabalho 8 da 1ª Conferência Nacional de Comunicação (1ª Confecom), que trata do sistema de outorgas, fiscalização e propriedade das entidades distribuidoras de conteúdo, mostrou-se impressionada com o nível dos debates e o conhecimento do tema entre todos os segmentos envolvidos".
É saudável notar que a discussão sobre a comunicação não se transformou em algo imaturo, visto que esta é a primeira conferência nacional sobre o assunto. Claro que, lendo principalmente o "Observatório da Imprensa", notam-se inúmeras falhas na logística da Confecom - porém, o debate está aí.
Só para variar, a Folha vem com uma cobertura muito parcial, com a cara lavada, da Confecom. Na notícia "Conferência de comunicação pede transparência em concessões", de Elvira Lobato, o jornal define arbitrariamente o que é favorável ou não às empresas:
"Na agenda do evento estão várias propostas contrárias às empresas de radiodifusão, como o controle social sobre a mídia e a criação de horários gratuitos nas TVs e rádios para os movimentos sindicais e sociais.
A conferência não tem poder para impor mudanças, mas apenas para recomendá-las".
De qualquer forma, eu quero salientar um ponto fundamental: a ausência das principais lideranças das empresas privadas da Conferência.
Disse o presidente Lula:
"Por isso mesmo, lamento que alguns atores da área da comunicação tenham preferido se ausentar desta Conferência, temendo sabe-se lá o quê. Perderam uma ótima oportunidade para conversar, defender suas ideias, lançar pontes e derrubar muros. Eu, que sou um homem de conversa e de diálogo, volto a dizer: lamento. Mas cada um é dono de suas decisões e sabe onde lhe aperta o calo. Bola pra frente, e vamos tocar nossa Conferência".
É muito claro, salvo a discrição, o porquê de as empresas (além da Bandeirantes e da RedeTV) se ausentarem da Confecom: elas querem fugir da discussão bilateral sobre as concessões de radiodifusão no Brasil, porque de qualquer modo, essa discussão bilateral lhes é prejudicial. O próprio Lula salientou que a Constituição sobre o assunto é muito antiga (o Código Brasileiro de Telecomunicações é de 1962). É fácil notar que a sociedade sofreu alterações profundas desde então - e o campo das comunicações também. Também por isso, deixando de lado qualquer análise crítica da situação, o código legal deve impreterivelmente sofrer alterações.
Lula também tocou no ponto de convergência das mídias: ele afirmou que a Internet cresce dia-a-dia na difusão de informações (multimídia, inclusive), e que é notável uma "horizontalização" (neologismo meu) dessa difusão. Percebe-se isso muito claramente entre as redes sociais e a blogosfera. Lula ainda ressaltou que isso não fere o bom jornalismo, o que de fato é verdade.
Assista o discurso do presidente Lula na abertura da Confecom:
Clique aqui para conferir o discurso completo.
Amanhã, 17, a plenária final da Confecom será concluída. Aguardamos pelas decisões definitivas.
Leia mais sobre a 1ª Confecom:
1ª Conferência Nacional de Comunicação - Site Oficial
Observatório da Imprensa
Uma conferência sob o signo da liberdade de imprensa - Blog do Planalto
segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
Cem posts depois...
O projeto de um blog era antigo, desde a época do ensino médio o adolescente bobo já queria ter um para escrever qualquer coisa. E ai, veio a faculdade, e com ela, o assunto a se escrever. A ideia inicial do blog sempre foi falar sobre política e literatura, dois campos do conhecimento que eu amo. Porém, com o desenrolar da faculdade de comunicação, outra paixão se enraizou em mim: o jornalismo.
Do dia 15 de janeiro para cá foram quase 100 dias de dedicação ao blog e, principalmente, aos (poucos) leitores. Mas hoje, me sinto satisfeito. Vejo que 100 posts depois, a minha paixão por manter um espaço como este só aumentou.
Aliás, desde que eu comecei a perceber, com o auxílio das aulas de certa disciplina da faculdade, que a imprensa (e consequentemente) o jornalismo do Brasil formavam praticamente um partido político, estabeleci uma meta: criticar esse mau uso do campo, e de certa forma expor às pessoas os descasos e mentiras que transpassam tudo isso no país. A blogosfera, nos últimos anos, se transformou num espaço imenso e inédito: um espaço de crítica à mídia, algo que praticamente nunca ocorreu no Brasil (salvo jornais inesquecíveis, como O Pasquim, que fazia um trabalho mais ou menos nesse sentido).
Por isso, eu afirmo: a leitura plural da crítica da mídia é tão (ou mais) relevante quanto a leitura da mídia tradicional. Ler, ouvir ou assistir os jornais tradicionais é, e sempre foi, importante, sim. Entretanto, no cenário atual, torna-se indispensável a leitura desses jornais por um viés crítico: eles constituem uma rede de empresas privadas dotadas de interesses próprios - é nesse contexto que a crítica da mídia se insere como fundamental nas relações entre audiência e meios de comunicação. Para entender, avaliar, de fato, se informar sobre os assuntos.
A imensa possibilidade de informações que a Internet disponibiliza fortalece uma noção que os estudos em comunicação da escola funcionalista dos EUA pregam desde os anos 1940: a disfunção narcotizante. Os sociólogos Paul Lazarsfeld e Robert Merton defendiam em seus estudos que a exposição à informação poderia causar uma situação "narcotizante" aos receptores dessa informação, ou seja, a ideia de que estar bem informado é possuir qualquer papel social.
Se esta noção está certa, no que eu acredito, atualmente um passo fundamental para derrubá-la é a leitura diária da crítica da mídia.
100 posts depois, eu falo: ao mesmo tempo em que o leitor abre os sites do UOL, da Globo, do Estado de São Paulo, abra os de crítica. A sua leitura acerca da mídia e das relações sociais do Brasil ampliará de uma maneira fenomenal. Se eu conseguir atingir uma pessoa que seja com esta mensagem, terei a certeza de que este blog cumpriu seu objetivo, e de que eu cumpri meu propósito.
Segue alguns links de blogs e sites de crítica à mídia:
Brasília, Eu Vi - Leandro Fortes
Conversa Afiada - Paulo Henrique Amorim
Fernando Molica
Blog do Luis Nassif
Observatório da Imprensa
Vi o Mundo - Luiz Carlos Azenha
e outros, muitos outros por aí afora.
No mais, muito obrigado pelas visitas e pelos comentários! O apoio de todos é sempre muito bom para mim.
O Mundo continua, sempre com ambições cada vez maiores.
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100 posts depois, Drummond nos fala novamente:
Mãos Dadas
Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros.
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considero a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.
Não serei o cantor de uma mulher, de uma história,
não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela,
não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida,
não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins.
O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes,
a vida presente.
Carlos Drummond de Andrade
terça-feira, 1 de dezembro de 2009
Política e Jornalismo - O misto sujo do Brasil
Na sexta, 27, a Folha de São Paulo publicou um artigo do senhor Cesar Benjamin, um zé ninguém que participou do movimento estudantil nos anos 1970. Ele foi vice candidato na candidatura apocalíptica de Heloísa Helena em 2006 pelo PSOL, e é editor de livros. No referido artigo, este senhor traça uma melodramática narrativa, quase que literária se seu texto tivesse maior qualidade, expondo seu tempo de preso político na ditadura militar. Relembra de conhecidos, de suas experiências, e de seus dramas.
Cesar Benjamin, à esquerda na foto, com seus amigos Serra, Requião e Dias. Belo dream team, hein?
"[Numa reunião, em 1994] Lula puxou conversa: 'Você esteve preso, não é Cesinha?' 'Estive.' 'Quanto tempo?' 'Alguns anos...', desconversei (raramente falo nesse assunto). Lula continuou: 'Eu não aguentaria. Não vivo sem boceta'.
Para comprovar essa afirmação, passou a narrar com fluência como havia tentado subjugar outro preso nos 30 dias em que ficara detido. Chamava-o de 'menino do MEP', em referência a uma organização de esquerda que já deixou de existir. Ficara surpreso com a resistência do 'menino', que frustrara a investida com cotoveladas e socos.
Foi um dos momentos mais kafkianos que vivi. Enquanto ouvia a narrativa do nosso candidato, eu relembrava as vezes em que poderia ter sido, digamos assim, o "menino do MEP'..."
Qualquer comentário meu será desprovido de razão, ética, ou qualquer outro campo lúcido da elaboração textual. Vou deixar Luis Nassif responder às vis palavras:
"Quando a acusação é gravíssima e atinge o presidente da República – seja ele Sarney, Itamar, FHC ou Lula – o cuidado deve ser triplicado, porque aí não se trata apenas da pessoa, mas da instituição. Qualquer acusação grave contra um presidente repercute internacionalmente, afeta a imagem do país como um todo. Se for verdadeira, pau na máquina. Se for falsa, não há o que conserte os estragos produzidos pela falsificação.
[...]
A acusação é inverossímil. Na sexta conversei com o delegado Armando Panichi Filho, um dos dois incumbidos de vigiar Lula na cadeia. Ele foi taxativo: não só não aconteceu como seria impossível que tivesse acontecido.
Lula estava na cela com duas ou três presos. A cela ficava em um corredor, com as demais celas. O que acontecesse em uma era facilmente percebida nas outras.
Havia plantão de carcereiros 24 horas por dia. E jornalistas acompanhando diariamente a prisão.
[...]
Benjamin não diz que Lula cometeu o ato. Diz que ouviu o relato de Lula em 1994, em um encontro que manteve em Brasília com um marqueteiro americano, contratado pela campanha, mais o publicitário Paulo de Tarso Santos e outras testemunhas.
Conversei com Paulo de Tarso – que já fez campanha para FHC, Lula – que lembra do episódio do americano mas nega que qualquer assunto semelhante tivesse sido ventilado, mesmo a título de piada. E nem se recorda da presença de Benjamin no almoço".
A Folha atingiu todos os limites éticos e morais da profissão. Jogou no lixo sua história de pluralidade (como há tempos vinha fazendo). Assassinou, de dentro para fora, o jornalismo brasileiro. Tudo isso em nome do que? Ódio? Vontade de controlar o país? O quê?
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quinta-feira, 26 de novembro de 2009
Economia e Jornalismo - Incentivos fiscais e o assassinato do jornalismo
"Estados e municípios arcam com corte de IPI
Mais da metade do IPI de móveis e materiais de construção, desonerados ontem, sairia de cofres estaduais e municipais
Adriana Fernandes, Renata Veríssimo e Marcelo Rehder, BRASÍLIA e SÃO PAULO
Numa operação de comunicação e oportunidade política, que aproveitou a presença de 31empresários em Brasília para a reunião do Grupo de Acompanhamento da Competitividade (GAC), o ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou ontem novo pacote de incentivos fiscais. Os setores beneficiados desta vez foram a indústria de móveis e, mais uma vez, a construção civil. As medidas foram anunciadas um dia depois de o ministro apresentar o "IPI verde" para carros".
Advinhem: é mentira. Para não usar uma palavra tão forte, é uma bela de uma falácia. Parte da arrecadação do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) vai, de fato, para Estados e municípios. Porém, todos sabemos que o IPI não é o único imposto que incide sobre estes produtos: entre outros tributos, o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS) talvez seja o mais significativo. E ele é destinado integralmente a Estados e municípios. Talvez o analista de economia do Estadão tenha relevado a análise político-econômica para apenas atacar, de alguma forma, o incentivo fiscal do Governo. A partir de uma dedução simples, é possível perceber que a redução do IPI gera um aquecimento na economia - por tabela, a arrecadação com ICMS também sobe (pesquisando um pouco na Internet, é possível encontrar analistas falando que esta arrecadação inclusive supera a "perda" com o IPI).
Engraçado é notar que os mesmos que agoram criticam os incentivos - mesmo que cegamente - são aqueles que reclamam inces- santemente da grande carga tributária do país.
O blog do Nassif ainda nos leva a outro flagrante deste assassínio do jornalismo, ao reproduzir um trecho do comentário da "jornalista" Miriam Leitão para o Jornal da CBN:
"Miriam - Segundo, tem que ter critério (…) ele deu ontem para móveis….moveis usam madeira; madeira tem, como, como todo mundo sabe…é…é…é…o setor pressiona o desmatamento, né? Têm empresas boas, que fazem isso de forma sustentável, etc".
É incrível a semelhança entre este comentário e o da Lúcia Hippolito, na semana passada, dizendo que a redução do IPI da linha branca causou o "apagão" daquele dia. O que a Miriam quis dizer é que a produção de móveis induz desmatamento - e que o Governo erra em incentivar a compra de mobília.
Leia sobre Lucia Hippolito e sobre o "apagão: O que eu vou dizer? Não sei, só sei que eu fico completamente abismado em noticiar tamanha falta de respeito com a profissão que eu estou aprendendo a amar.
O Mundo - Política - Apagão?
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
Política - Diplomacia eficiente. E comum.
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
Sociedade - O rumo climático
"Líderes de países ricos descartam acordo definitivo em Copenhague
Metas obrigatórias de redução de emissões devem ficar só para 2010, em uma próxima conferência
Claudia Trevisan
Líderes políticos da região asiática, dos Estados Unidos e da Europa descartaram ontem a possibilidade de assinar um novo tratado climático internacional em Copenhague, no mês que vem. No linguajar diplomático, fala-se agora em um acordo "politicamente vinculante", em vez de "legalmente vinculante", o que ficaria para uma próxima conferência, em 2010. "
A reportagem continua descrevendo a trama política que se forma: o chamado G2 (EUA e China) das questões climáticas não parecem dispostos a firmar metas definitivas para redução de emissão de gases - portanto, ao que tudo indica, a reunião de Copenhague servirá para discussão e definição de políticas relacionadas ao tema. Não que isso não seja de fundamental relevância, mas é notável que já passou da hora de metas globais serem estabelecidas, com a participação de todas as grandes economias do mundo, sem exceção.
Lula, Obama e Hu Jintao (Presidente da China). Definitivos nos rumos climáticos mundiais. (Darren Staples/Reuters)Mas isso é de conhecimento geral. Quero comentar outros dois temas relacionados a esse assunto: a capacidade do agendamento dessa questão e relacionado a isso, a pressão da opinião pública.
Primeiro, a abrangência incrível deste tema. Todos querem discuti-lo, e levam em conta sua relevância de primeira ordem. Ele é pauta fixa na grande mídia, e compõe um segmento do jornalismo que cresce a cada dia: o jornalismo ambiental. As campanhas ecológicas dia a dia se desvinculam do rótulo de "eco-chatas" para alçar uma discussão importante na sociedade em geral. Enfim, parece que ultimamente o tema "mudanças climáticas" vem ganhando uma relevância maior do que recebia algum tempo atrás - nada mais justo, afinal.
Em segundo lugar, a opinião pública (tá, há muitas controvérsias aqui, mas este é outro assunto) demonstrada pela mídia caminha no sentido de exercer pressão sobre as autoridades - em detrimento da "camaradagem" supostamente existente entre estas e o setor industrial (principal emissor de gases poluentes). É possível comprovar esta hipótese no seguinte parágrafo (retirado daqui):
"Na última sexta-feira, o governo brasileiro apresentou a proposta "voluntária" que pretende levar a Copenhague. O Brasil afirma que espera reduzir as suas emissões de gases causadores do efeito estufa em entre 36,1% e 38,9% até 2020".
Números são sempre concretos. Desse naipe, então, sensacionais. Má notícia, entretanto, para o setor industrial conservador e os setores reacionários da sociedade, que teimam em superestimar o crescimento econômico em detrimento de discussões sociais tão relevantes quanto esta.
Leia mais sobre mudanças climáticas e aquecimento global:
Observatório da Imprensa - A pressão da opinião pública, por Luciano Martins Costa
O Mundo - Blog Action Day - Obama e Mudanças Climáticas
Estadão.com.br - Todos terão que apresentar números para corte de emissões, diz Lula - BBC Brasil
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
Jornalismo - PEC aprovada na CCJ
"CCJ da Câmara aprova proposta que exige diploma para jornalistas
da Agência Câmara
da Folha Online
A CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara aprovou nesta quarta-feira a admissibilidade da PEC (proposta de emenda constitucional) do deputado Paulo Pimenta (PT-RS) que restabelece a exigência de diploma para o exercício da profissão de jornalista".
Surpreendente, afinal. Está na Folha, ainda, que uma comissão especial será criada para discutir o tema. Mais alguns meses de discussão, antes de chegar no plenário.
Passados quase 5 meses da decisão do STF, as marcas no mercado de trabalho e na academia ainda são fracas, dados à grande proporção do debate que surgiu naquela época. Parece, ao menos, que não mudou muita coisa.
Para ler mais sobre o diploma de jornalismo:
Estadão de Hoje - Entidade apoia término da obrigatoriedade do diploma
O Mundo - Jornalismo - A luta, agora, pela valorização
O Mundo - Jornalismo - Quem sabe?
Em tempo, aguardamos.
Política - Apagão?
Advinhem: o PSDB do FHC, representado pelo líder do partido no Senado, Arthur Virgílio, comemorou o acidente.
Do Estadão:
"'Eles criticaram FHC, mas não resolveram', diz líder do PSDB
Clarissa Oliveira
Em Brasília, o líder do PSDB, senador Arthur Virgílio (AM), não tardou ontem para devolver as críticas que seu partido recebeu do PT na época da crise energética que atingiu o governo Fernando Henrique Cardoso (veja a memória dos grandes apagões e as declarações a respeito do ministro Edison Lobão, na página C3). "No passado, eles não aceitaram as explicações do governo de que havia uma causa climática para o problema. E a verdade é que, depois de todo esse tempo, eles não resolveram o que eles próprios diziam ser o problema", afirmou ontem o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio, que jantava com alguns amigos em um restaurante em Brasília quando foi avisado num telefonema sobre a falta de energia em pelo menos 12 Estados, além de parte do Distrito Federal e do Paraguai".
Como sempre, a crítica dos tucanos é descontrolada, falaciosa, resumindo bem: mentirosa. O apagão do final de 2001 foi um desastre econômico para o país, e foi sim causado por mau planejamento e má administração do setor energético. Os tucanos colocaram duas soluções muito interessantes para o problema: 1) esperar as chuvas em excesso que adiarão nosso problema ou, 2) privatizar tudo que é empresa de energia e jogar nas mãos dos empresários uma necessidade primária pública. Como a primeira solução não apareceu, optou-se pela segunda. Resultado: atualmente, o Brasil tem uma das tarifas de energia elétrica mais caras do mundo.
Quem estava ontem a noite em Curitiba, percebeu que a chuva foi realmente forte. No bairro Juvevê, que eu frequento, hoje era possível perceber várias marcas deixadas pela chuva: toldos destruídos, placas derrubadas, portões danificados. A probabilidade de um acidente na linha elétrica ter acontecido no Paraná é muito grande - e só isso, um acidente. Não foi falta de planejamento, tampouco problemas estratégicos. Foi um acidente. E aí me aparece um líder do Senado falando com um baita sorriso na cara que o "apagão" de ontem é facilmente comparável ao apagão, esse sim de verdade, em 2001.
O jornalismo da CBN/Globo
Segundo informações do Blog do Nassif, a "jornalista" Lucia Hippolito, comentarista de política da rádio CBN, entrou no ar diretamente da sua casa e afirmou veementemente que o problema do blackout ocorreu porque o presidente Lula isentou toda a linha branca do IPI, o que gerou uma sobrecarga, devido ao grande número de aparelhos novos ligados. Além dessa informação jornalística de uma precisão incrível, ela afirmou que a dependência do Brasil em relação aos combustíveis fósseis na matriz energética precisa ser contornada. Ainda bem que os rios que movem as hidrelétricas são feitos de água. Ainda bem também que eu aboli a rádio CBN nacional do meu aparelho de rádio.
Lúcia Hippolito. Medo.
Leia mais sobre o incidente de ontem:
Conversa Afiada - Cuidado com a palavra apagão. Recordar é viver.
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sábado, 7 de novembro de 2009
Política - A resposta à altura
Do Estadão:
"Para Lula, 'ódio' de FHC se deve à 'incompetência'
ANNE WARTH E CAROLINA FREITAS - Agencia Estado
SÃO PAULO - O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, atribuiu as críticas que recebeu do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) na última semana ao "ódio" do tucano em relação a seu governo. "Eu compreendo o ódio que isso causa. Um intelectual ficar assistindo um operário que só tem o 4º ano primário ganhar tudo o que ele imaginava que iria ganhar e não ganhou por incompetência é muito difícil", disse ele, interrompido por palmas e um coro de "Olê Olê Olê Olá Lula" de mais de 800 pessoas que assistiam à abertura do 12º Congresso do PCdoB, no Palácio das Convenções do Anhembi, na zona norte da capital paulista.
O petista revidou também o ataque do compositor Caetano Veloso, que chamou Lula de "analfabeto" em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo. "Essa semana foi engraçada. Eu fui chamado de analfabeto, de ditador, por ter indicado a Dilma (Rousseff, ministra da Casa Civil) pelo ''dedaço'' e ganhei o título de estadista do ano", discursou Lula, em referência ao prêmio Chatham House 2009, que recebeu em Londres por seu empenho nas relações internacionais na América Latina".
É, aí fica difícil para o FHC e qualquer outro contestar. As ofensas pessoais que ele desferiu contra o presidente na semana passada apenas afirmam a tese de Lula: ele foi incompetente - pelo menos, menos competente que o atual.
Claro que os dois presidentes deram sua contribuição para o estabelecimento da democracia e da política brasileira - mas deixo aos leitores decidirem, por via das dúvidas, qual deles desempenhou esse papel melhor.
terça-feira, 3 de novembro de 2009
Política - A inveja do bico comprido
A primeira, o artigo de Fernando Henrique Cardoso (sim, aquele mesmo) publicado no Estadão no dia primeiro de novembro. Seguem alguns trechos:
"Para onde vamos?
Fernando Henrique Cardoso
A enxurrada de decisões governamentais esdrúxulas, frases presidenciais aparentemente sem sentido e muita propaganda talvez levem as pessoas de bom senso a se perguntarem: afinal, para onde vamos? Coloco o advérbio "talvez" porque alguns estão de tal modo inebriados com "o maior espetáculo da Terra", de riqueza fácil que beneficia poucos, que tenho dúvidas. Parece mais confortável fazer de conta que tudo vai bem e esquecer as transgressões cotidianas, o discricionarismo das decisões, o atropelo, se não da lei, dos bons costumes. [...]
Pouco a pouco, por trás do que podem parecer gestos isolados e nem tão graves assim, o DNA do "autoritarismo popular" vai minando o espírito da democracia constitucional. Esta supõe regras, informação, participação, representação e deliberação consciente. [...]
Diferentemente do que ocorria com o autoritarismo militar, o atual não põe ninguém na cadeia. Mas da própria boca presidencial saem impropérios para matar moralmente empresários, políticos, jornalistas ou quem quer que seja que ouse discordar do estilo "Brasil potência". Até mesmo a apologia da bomba atômica como instrumento para que cheguemos ao Conselho de Segurança da ONU - contra a letra expressa da Constituição - vez por outra é defendida por altos funcionários, sem que se pergunte à cidadania qual o melhor rumo para o Brasil. [...]
Comecei com para onde vamos? Termino dizendo que é mais do que tempo de dar um basta ao continuísmo, antes que seja tarde".
Ele é o único presidente eleito do Brasil que não apresenta qualquer tipo de respeito por seu sucessor. Tenta exaustivamente , há 7 anos, desqualificar o sucesso evidente do Governo Lula. Para quê? Se ele desejasse, de verdade, exercer o papel de sociólogo deveria, sim, criticar o atual presidente, mas dentro dos limites da realidade e da ofensa. Porque, lendo esses parágrafos, é fácil perceber que o texto se trata de uma simples ofensa pessoal - nada de sociológico, de construtivo, por assim dizer.
O FHC denomina o Governo Lula como autoritário, golpista. O compara ao autoritarismo militar - esse sim, deixa suas marcas no Brasil até os dias atuais, vide o serviço militar obrigatório. Por que tanta raiva? Por que Lula é ditador, peronista, quer um poder sem limites? Isso tudo é suposição barata de um ex-presidente iludido.
Quanto ao trecho que fala sobre a "bomba atômica". O FHC, no seu governo, assinou um tratado de não-proliferação de produção atômica no Brasil - a "letra expressa" que ele diz. Com isso, matou toda e qualquer pretensão de o Brasil ser uma força nuclear mundial. Lula retoma essa discussão delicada, mas importante, visando o Conselho de Segurança da ONU, fórum de deliberação mais importante do mundo no que se trata de decisões internacionais. Qual o problema aqui FHC? O Brasil não possui o direito de crescer? Sim, caros leitores, em breve o Brasil comporá esse Conselho, e nesse dia FHC derrubará lágrimas e lágrimas da sua raiva (já não tanto) acumulada.
O segundo fator que me assustou, afinal, foram os comentários deixados no site do Estadão, no artigo do FHC. Por exemplo:
"ESSE TEXTO É UMA LUZ PARA TODOS QUANTOS SE PREOCUPAM COM NOSSO DESTINO
Ter, 03/11/09 14:09 ,tabula@estadao.com.br
Nesse nosso deserto de lideranças verdadeiras e patriotas, é sempre bem vinda uma luz que nos livre das trevas sinistras. Sempre será uma situação de terrível risco político e econômico a junção de desmoralização institucional generalizada com o poder magnificado dos fundos de pensão gerido pelos sindicalistas da mesma facção criminosa do atual governo. Os riscos de haver um enorme conluio para a implantação de uma ditadura bolivariana são intoleráveis. Talvez essa clara preocupação esteja atrasada no tempo eleitoral que trata de manipular as mentes em larga escala."
"Texto muito difícil...
Ter, 03/11/09 08:58 , guiverhalen@estadao.com.br
Os petistóides, principalmente Vosso Guia vão ter contratar um tradutor para colocar o texto em Lulês. Só assim vão poder responder à altura".
Este, em especial, me surpreendeu "positivamente":
"INCOERÊNCIA DE FHC
Dom, 01/11/09 20:37 edevaldoj, edevaldoj@estadao.com.br
45 escândalos que marcaram o governo FHC 1-Conivência com a corrupção, 2-O escândalo do Sivam, 3-A farra do Proer, 6-A emenda da reeleição, 7-Grampos telefônicos, 8-TRT paulista, 9-Os ralos do DNER, 10-O"caladão", 11-Desvalorização do real, 12-O caso Marka/FonteCindam, 13-Base de Alcântara, 14-Biopirataria oficial, 15 - O fiasco dos 500 anos, 16 - Eduardo Jorge, um personagem suspeito 17 - Drible na reforma tributária, 18-Rombo transamazônico na Sudam, 20-Calote no Fundef, 21-Abuso de MPs, 22-Acidentes na Petrobras, 25-Os computadores do FUST, 26-Arapongagem, 27-O esquema do FAT, 28 - Mudanças na CLT, 29 - Obras irregulares, 30-Explosão da dívida, 31-Avanço da dengue, 32–Verbas do BNDES, 33-Crescimento pífio do PIB, 34–Renúncias no Senado, 35 - Racionamento de energia, 36-Assalto ao bolso do consumidor, 37 – Explosão da violência, 38 – A falácia da Reforma agrária, 40–Renda em queda e desemprego em alta, 41 -Relações perigosas, 42–Violação aos direitos humanos, 43–Correção da tabela do IR, 44-Intervenção na Previ, 45–Barbeiragens do Banco Central".
Embora não concorde com todos estes 45 pontos, a maioria me parece verossímil. De qualquer forma, rende um artigo muito completo sobre o governo daquele senhor.
quarta-feira, 28 de outubro de 2009
Literatura - "Todos estes que aí estão / Atravancando meu caminho..."
Porém, hoje, eu relembrei. Quem mereceria um post senão aquele que me consola nos momentos de ócio? Falo isso porque carrego comigo um pequeno livro de bolso todos os dias, aonde quer que eu vá. Falo, afinal, de Mario Quintana.
O primeiro soneto de Quintana que despertou meu interesse foi o seguinte:
"A Rua dos Cataventos - XXXV
Quando eu morrer e no frescor de lua
Da casa nova me quedar a sós,
Deixa-me em paz na minha quieta rua...
Nada mais quero com nenhum de vós!
Quero é ficar com alguns poemas tortos
Que andei tentando endireitar em vão...
Que lindo a Eternidade, amigos mortos,
Para as torturas lentas da Expressão!...
Eu lavarei comigo as madrugadas,
Pôr de sóis, algum luar, asas em bando,
Mais o rir das primeiras namoradas...
E um dia a morte há de fitar com espanto
Os fios da vida que eu urdi, cantando,
Na orla negra do seu negro manto..."
O diferencial de Quintana era a "rara legibilidade". Não são raros os ensaios sobre o autor que versam sobre isso. Amigo de vários outros grande poetas brasileiros contemporâneos a ele, Quintana viveu em Porto Alegre de 1906 a 1994. A cidade, que lhe rendeu o título de Cidadão Honorário, foi, inclusive, palco de inúmeras histórias do poeta:
"Olho o mapa da cidade
Como quem examinasse
A anatomia de um corpo...
(É nem que fosse o meu corpo!)
Sinto uma dor infinita
Das ruas de Porto Alegre
Onde jamais passarei..."
Quintana passou toda sua vida entre redações de jornais (ele trabalhou no Estado do Rio Grande, no Correio do Povo, e escreveu crônicas para vários outros) e a literatura. Com dezenas de livros publicados, a obra de Mario Quintana entrou no hall das mais consistentes obras de poesia do Brasil, ao lado de Carlos Drummond de Andrade, Cecília Meirelles, Vinícius de Moraes e outros.
Voltando à obra em si, o que eu considero um pico dos poemas de Quintana se encontra na série Espelho Mágico, uma reunião de quadras em que o autor descreve várias situações, inclusive algumas banais. Diz Quintana:
"Das corcundas
As costas de Polichinelo arrasas
Só porque fogem das comuns medidas?
Olha! Quem sabe não serão as asas
De um Anjo, sob as vestes escondidas..."
"Da eterna procura
Só o desejo inquieto, que não passa,
Faz o encanto da coisa desejada...
E terminados desdenhando a caça
Pela doida aventura da caçada."
"Da felicidade
Quantas vezes a gente, em busca da ventura,
Procede tal e qual o avozinho infeliz:
Em vão, por toda parte, os óculos procura,
Tendo-os na ponta do nariz!"
"Da condição humana
Se variam na casca, idêntico é o miolo,
Julguem-se embora de diversa trama:
Ninguém mais se parece a um verdadeiro tolo
Que o mais sutil dos sábios quando ama."
Leia (sobre) Quintana:
Mario Quintana - Biografias - Releituras.com
Jornal de Poesia - Mario Quintana
Toda a loucura lúcida de Mario Quintana - Estadao.com.br
Leia o que já foi publicado sobre literatura clicando aqui.
Assista a reportagem do JN quando da morte do poeta:
Para finalizar, Quintana:
"O poema
Um poema como um gole dágua bebido no escuro.
Como um pobre animal palpitando ferido.
Como pequenina moeda de prata perdida para sempre na floresta noturna.
Um poema sem outra angústia que a sua misteriosa condição de poema.
Triste.
Solitário.
Único.
Ferido de mortal beleza."















